Alunos do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP) receberam na última sexta-feira, 22 de maio, um comunicado, via WhatsApp, onde eram informados que poderiam ter suas matrículas canceladas caso não voltassem às aulas nesta segunda-feira, 25.
“A Diretoria do IFUSP manifesta que com a continuidade da paralisação das aulas de graduação e a falta de perspectiva ou sinalização de mudança do calendário escolar, haverá a perda do semestre letivo e com isto os calouros terão suas matrículas canceladas, perdendo o vínculo com a USP”, diz o informe.
Após cinco semanas em greve, a IFUSP convocou tanto alunos como docentes para voltarem a dar continuidade ao ano letivo. “Desta forma, considerando a grande perda para a formação dos alunos, a diretoria convoca todos os alunos e professores para o retorno às aulas na próxima segunda-feira, dia 25/05″, orienta o comunicado.
Com medo de retaliação, cerca de 20 alunos foram assistir uma primeira aula, que durou, segundo presentes, aproximadamente 20 minutos, nesta segunda-feira.
Arak, presidente do Centro Acadêmico do Instituto de Física (Cefisma), conta que a ação da IFUSP foi uma tentativa de coagir os alunos com uma “ameaça vazia”. “[O Instituto] faz isso, inclusive, numa semana em que a gente se articula e a mesa de negociação consegue tirar uma postura positiva, inclusive da reitoria. Eles [afirmaram que] vão flexibilizar o calendário [escolar]”, diz Arak, lembrando que em nenhuma outra vez houve alunos jubilados por causa de paralisações na Universidade de São Paulo (USP).
À Agência Pública, o diretor do DCE Livre da USP, Flávio Fávero, relata que alunos que foram aos prédios da USP para garantir que as aulas não ocorram, como votado na última Assembleia, se depararam “com violência por parte de professores, [com] assédio moral, [coisas] que ficam absurdas e não cabem ao ambiente universitário”, avalia.


