A Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça na Itália, decidiu nesta sexta-feira, 22 de maio, não extraditar a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil e determinou sua soltura. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ela estava presa em Roma desde julho de 2025.
A decisão, tomada por seis juízes da Suprema Corte Italiana, surpreendeu tanto a defesa de Zambelli quanto os representantes do governo brasileiro. O julgamento referia-se ao recurso da defesa contra a extradição no processo em que Zambelli foi condenada a dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Enrico Giarda, representante da Advocacia-Geral da União (AGU) na Itália, classificou a decisão como inesperada. Por outro lado, Fabio Pagnozzi, advogado da ex-deputada no Brasil, celebrou o resultado. “Foi uma surpresa, e uma surpresa muito boa. É até uma vergonha para o Brasil, mais um brasileiro não extraditado por entenderem ser uma perseguição política”, declarou à CNN Brasil. Nas suas redes sociais, Zambelli, já solta, comemorou a decisão em vídeo a seus seguidores.
A justificativa oficial da Corte italiana deve ser divulgada em até 15 dias. A AGU avalia que as condições do presídio para onde a ex-deputada seria enviada, a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia), podem ter influenciado o veredito, argumento recorrente da defesa que alegava risco aos direitos humanos e deterioração da saúde de Zambelli no cárcere.

Arma em punho nas eleições de 2022
Zambelli tem duas penas a cumprir no Brasil. São dez anos de prisão pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. E outros cinco anos por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no episódio em que apontou uma arma para um homem em São Paulo, em 2022.
