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Os que olham para a concentração de carbono e metano na atmosfera e seus efeitos sobre a vida dos que habitam o planeta têm uma data gravada na cabeça: 2030, o marco para segurar o aumento da temperatura média na Terra abaixo de 2 graus – se possível, em no máximo 1,5 grau. Acima desse limite, estabelecido pelos cientistas, o aquecimento se torna irreversível com uma série de pontos de não retorno – do degelo das calotas polares ao colapso da floresta amazônica -, colocando em risco a habitabilidade do planeta, como explicou a colega Isabel Seta, no episódio mais recente do Bom Dia, Fim do Mundo.
Essa ameaça existencial para a humanidade uniu 195 países, há pouco mais de 15 anos, no celebrado Acordo de Paris, em que todos se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa provenientes sobretudo da queima de combustíveis fósseis nos países desenvolvidos, mas também do desmatamento – principal fonte das emissões do Brasil – e de atividades industriais e agropecuárias. Uma decisão que depende de cada um dos países membros para se concretizar, já que as contribuições são voluntárias. E até agora ficou bem abaixo do esperado.
Votado por aclamação, o consenso sofreu uma baixa importante já em 2017, com a retirada dos Estados Unidos, o país que é o maior emissor histórico do mundo, no primeiro mandato de Donald Trump. Eleito em 2024, Trump pôs mais lenha na crise planetária, não apenas a climática, mas também a da democracia, dos direitos humanos e do multilateralismo, fundamentais para a paz. Em vez de negociações e acordos, guerra, genocídio e destruição no Oriente Médio; em vez de fóruns internacionais, uma agressiva política unilateral – da invasão da Venezuela à tentativa de interferência na justiça e política internas de outros países, caso do Brasil, como vimos mais uma vez esta semana com o novo tarifaço.
Aderir a Trump, como fazem os Bolsonaro, é renunciar à soberania, aos interesses nacionais e à democracia, como mostra o paralelismo entre os eventos de 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos e 8 de janeiro de 2023 no Brasil. Também significa impulsionar o uso dos combustíveis fósseis, liberar a destruição ambiental, aprofundar as desigualdades – em um mundo que precisa reduzir o consumo enquanto a riqueza se concentra e a pobreza se aprofunda – abandonar regulamentações financeiras, as compensações sociais, a igualdade entre gêneros.
