Senadores da bancada conservadora no Senado, entre eles Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), fazem pressão para votar, no plenário da Casa, ainda esta semana, o projeto de lei que regulamenta o ensino domiciliar, também conhecido como homeschooling. Assim, eles pretendem pular a etapa de tramitação na Comissão de Educação e Cultura, presidida atualmente pela petista e atual líder do governo, Teresa Leitão.
Na terça-feira passada, 30 de junho, os senadores apresentaram um pedido de urgência, com 25 assinaturas, para que o projeto seja apreciado imediatamente. “Esse protelamento causa insegurança jurídica, desespero em jovens, adolescentes e crianças, famílias vivendo em insegurança”, disse Malta, autor do pedido de urgência.
O PL 1.338/22 foi aprovado na Câmara dos Deputados e está parado no Senado desde 2022. A proposta de regulamentação do ensino domiciliar é vista com preocupação por entidades que defendem o direito à educação, como o Unicef, que alerta para os riscos e impactos negativos dessa modalidade de ensino.
Em 2022, a Agência Pública revelou, em reportagem com a OpenDemocracy, que a principal associação promotora do ensino domiciliar no Brasil distribuía materiais que defendiam explicitamente a violência física contra crianças como ferramenta educativa. Castigos físicos na educação são proibidos por lei no Brasil. A reportagem também mostrou como atuava a rede que promovia lobby pela regulamentação do homeschooling no Congresso e como defensores do ensino domiciliar utilizavam argumentos religiosos e versículos da Bíblia para justificar violência contra crianças na educação domiciliar.
Renato Godoy, gerente de relações governamentais do Instituto Alana, que atua pelo direito das crianças, é contrário à medida. Ele aponta algumas questões que não ficam claras na proposta como, por exemplo, quais serão as fontes de financiamento, uma vez que a proposta prevê etapas de fiscalização e acompanhamento da aprendizagem dos estudantes em modalidade domiciliar, o que pode, segundo ele, “gerar um grande custo para estados e municípios, que já têm os cofres limitados”.
